{"id":2639,"date":"2024-06-04T15:21:47","date_gmt":"2024-06-04T18:21:47","guid":{"rendered":"https:\/\/sescpiaui.com.br\/escreversemfronteiras\/?p=2639"},"modified":"2024-06-04T15:21:47","modified_gmt":"2024-06-04T18:21:47","slug":"deixe-a-porta-aberta-por-romulo-maia","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/sescpiaui.com.br\/escreversemfronteiras\/index.php\/2024\/06\/04\/deixe-a-porta-aberta-por-romulo-maia\/","title":{"rendered":"Deixe a porta aberta, por R\u00f4mulo Maia"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_2640\" style=\"width: 310px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-2640\" class=\"wp-image-2640 size-medium\" src=\"http:\/\/sescpiaui.com.br\/escreversemfronteiras\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/Screenshot_20240504-091804_Instagram-300x201.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"201\" srcset=\"http:\/\/sescpiaui.com.br\/escreversemfronteiras\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/Screenshot_20240504-091804_Instagram-300x201.jpg 300w, http:\/\/sescpiaui.com.br\/escreversemfronteiras\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/Screenshot_20240504-091804_Instagram-768x514.jpg 768w, http:\/\/sescpiaui.com.br\/escreversemfronteiras\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/Screenshot_20240504-091804_Instagram-810x542.jpg 810w, http:\/\/sescpiaui.com.br\/escreversemfronteiras\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/Screenshot_20240504-091804_Instagram.jpg 936w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><p id=\"caption-attachment-2640\" class=\"wp-caption-text\">Sinhazinha na sala da sua casa Foto: R\u00f4mulo Maia<\/p><\/div>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>Por R\u00f4mulo Maia<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Nasceu Isabel do Monte Arrais, mas tornou-se Sinhazinha ao longo da vida. Aos 91 anos, vive sozinha numa casa de ch\u00e3o de tijolos e poucos m\u00f3veis na Regenera\u00e7\u00e3o, zona rural de Pio IX (PI). Cercado pela caatinga cinza e retorcida, o lugar \u00e9 sombra borrada do que j\u00e1 foi. O furac\u00e3o do tempo levou pessoas, cores, conviv\u00eancias e hist\u00f3rias. Muito se foi, mas Sinhazinha permaneceu. Apenas ela e seus ba\u00fas de saudades e lembran\u00e7as.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">O certo \u00e9 que Sinhazinha tem motivos de sobra para reclamar. Mas, acreditem, ela prefere sorrir. E sorrindo nos recebe com um abra\u00e7o carinhoso. \u201cFico t\u00e3o satisfeita quando recebo a visita do meu povo.\u201d<\/p>\n<p>Escuta pouco, enxerga nada. Uma nevoa pesada caiu-lhe sobre as retinas h\u00e1 uns anos. Por isso usa as m\u00e3os magras e macias para examinar as minhas. Alisa as palmas, sente cada dedo &#8211; da base at\u00e9 a ponta &#8211; e conclui com ar de riso: \u201cE ele tem as m\u00e3os pequenas e os dedos curtos. M\u00e3o dos Arrais.\u201d S\u00e3o tra\u00e7os que nos aproximam. Somos primos.<\/p>\n<p>Saltando do passado ao presente, a conversa distrai e as horas voam. J\u00e1 \u00e9 noite e temos que ir. Ao me despedir, pergunto a Sinhazinha se devo fechar a porta. A resposta, dessas que esquentam o cora\u00e7\u00e3o, levarei para sempre comigo:<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o! Dizem que faz mal a visita sair e fechar a porta; a pessoa n\u00e3o volta mais. E eu quero que voc\u00eas voltem. Pode deixar aberta.\u201d<\/p>\n<p>Ao modo sertanejo, disse o mesmo que Gonzaguinha na consagrada \u201cCaminhos do Cora\u00e7\u00e3o\u201d:<\/p>\n<p>\u201c(&#8230;)<br \/>\n<em>Principalmente por poder voltar<br \/>\nA todos os lugares onde j\u00e1 cheguei<br \/>\nPois l\u00e1 deixei um prato de comida<br \/>\nUm abra\u00e7o amigo, um canto pr\u00e1 dormir e sonhar<br \/>\n(&#8230;)<br \/>\nE \u00e9 t\u00e3o bonito quando a gente entende<br \/>\nQue a gente \u00e9 tanta gente onde quer que a gente v\u00e1<br \/>\nE \u00e9 t\u00e3o bonito quando a gente sente<br \/>\nQue nunca est\u00e1 sozinho por mais que pense estar<\/em><br \/>\n(&#8230;)\u201d<\/p>\n<p>Entendi. E prometi sempre voltar.<\/p>\n<p>Sa\u00edmos deixando a porta escancarada.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por R\u00f4mulo Maia Nasceu Isabel do Monte Arrais, mas tornou-se Sinhazinha ao longo da vida. 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